O caso de Veja por Luís Nassif
março 21, 2008 by claudia pucci
Filed under Opinião
Aqui um artigo muito interessante do Luís Nassif, sobre a veja. Leia na íntegra no Blog do jornalista: http://luis.nassif.googlepages.com/
O maior fenômeno de anti-jornalismo dos últimos anos foi o que ocorreu com a revista Veja. Gradativamente, o maior semanário brasileiro foi se transformando em um pasquim sem compromisso com o jornalismo, recorrendo a ataques desqualificadores contra quem atravessasse seu caminho, envolvendo-se em guerras comerciais e aceitando que suas páginas e sites abrigassem matérias e colunas do mais puro esgoto jornalístico.
Para entender o que se passou com a revista nesse período, é necessário juntar um conjunto de peças.
O primeiro conjunto são as mudanças estruturais que a mídia vem atravessando em todo mundo.
O segundo, a maneira como esses processos se refletiram na crise política brasileira e nas grandes disputas empresariais, a partir do advento dos banqueiros de negócio que sobem à cena política e econômica na última década..
A terceira, as características específicas da revista Veja, e as mudanças pelas quais passou nos últimos anos.
O estilo neocon
De um lado há fenômenos gerais que modificaram profundamente a imprensa mundial nos últimos anos. A linguagem ofensiva, herança dos “neocons” americanos, foi adotada por parte da imprensa brasileira como se fosse a última moda.
Durante todos os anos 90, Veja havia desenvolvido um estilo jornalístico onde campeavam alusões a defeitos físicos, agressões e manipulação de declarações de fonte. Quando o estilo “neocon” ganhou espaço nos EUA, não foi difícil à revista radicalizar seu próprio estilo.
Um segundo fenômeno desse período foi a identificação de uma profunda antipatia da chamada classe média mídiatica em relação ao governo Lula, fruto dos escândalos do “mensalão”, do deslumbramento inicial dos petistas que ascenderam ao poder, agravado por um forte preconceito de classe. Esse sentimento combinava com a catarse proporcionada pelo estilo “neocon”. Outros colunistas utilizaram com talento – como Arnaldo Jabor -, nenhum com a fúria grosseira com que Veja enveredou pelos novos caminhos jornalísticos.
O jornalismo e os negócios
Outro fenômeno recorrente – esse ainda nos anos 90 — foi o da terceirização das denúncias e o uso de notas como ferramenta para disputas empresariais e jurídicas.
A marketinização da notícia, a falta de estrutura e de talento para a reportagem tornaram muitos jornalistas meros receptadores de dossiês preparados por lobistas.
Ao longo de toda a década, esse tipo de jogo criou uma promiscuidade perigosa entre jornalistas e lobistas. Havia um círculo férreo, que afetou em muitos as revistas semanais. E um personagem que passou a cumprir, nas redações, o papel sujo antes desempenhado pelos repórteres policiais: os chamados repórteres de dossiês.
Consistia no seguinte:
O lobista procurava o repórter com um dossiê que interessava para seus negócios.
O jornalista levava a matéria à direção, e, com a repercussão da denúncia ganhava status profissional.
Com esse status ele ganhava liberdade para novas denúncias. E aí passava a entrar no mundo de interesses do lobista.
O caso mais exemplar ocorreu na própria Veja, com o lobista APS (Alexandre Paes Santos).
Durante muito tempo abasteceu a revista com escândalos. Tempos depois, a Policia Federal deu uma batida em seu escritório e apreendeu uma agenda com telefones de muitos políticos. Resultou em uma capa escandalosa na própria Veja em 24 de janeiro de 2001 (clique aqui) em que se acusavam desde assessores do Ministro da Saúde José Serra de tentar achacar o presidente da Novartis, até o banqueiro Daniel Dantas e o empresário Nelson Tanure de atuarem através do lobista.
Na edição seguinte, todos os envolvidos na capa enviaram cartas negando os episódios mencionados. Foram publicadas sem que fossem contestadas.
O que a matéria deixou de relatar é que, na agenda do lobista, aparecia o nome de uma editora da revista - a mesma que publicara as maiores denúncias fornecidas por ele. A informação acabou vazando através do Correio Braziliense, em matéria dos repórteres Ugo Brafa e Ricardo Leopoldo.
A editora foi demitida no dia 9 de novembro, mas só após o escândalo ter se tornado público.
Antes disso, em 27 de junho de 2001(clique aqui) Veja publicou uma capa com a transcrição de grampos envolvendo Nelson Tanure. Um dos “grampeados” era o jornalista Ricardo Boechat. O grampo chegou à revista através de lobistas e custou o emprego de Boechat, apesar de não ter revelado nenhuma irregularidade de sua parte.
Graças ao escândalo, o editor responsável pela matéria ganhou prestígio profissional na editora e foi nomeado diretor da revista Exame. Tempos depois foi afastado, após a Abril ter descoberto que a revista passou a ser utilizada para notas que não seguiam critérios estritamente jornalísticos.
Um dos boxes da matéria falava sobre as relações entre jornalismo e judiciário.
O boxe refletia, com exatidão, as relações que, anos depois, juntariam Dantas e a revista, sob nova direção: notas plantadas servindo como ferramenta para guerras empresariais, policiais e disputas jurídicas.
Encontro de Mídia Ativista - Participe!
março 19, 2008 by Robson Pereira
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No dia 29 de março acontecerá o 1° Encontro de Mídia Ativista, no Centro Cultural Humanista, na Zona Leste, em São Paulo. A idéia é a de aglutinar vários coletivos que estejam atuando com mídia (audio, vídeo, impresso, etc…) para o desenvolvimento de ações conjuntas.
Quem quiser se somar na organização da coisa toda, com idéias, propostas e oficinas, fale com a Denise (coleracha@hotmail.com) ou com o Robson (estadolivre@yahoo.com.br). Está prevista uma próxima reunião organizativa na terça-feira, dia 25 de março, possivelmente no próprio espaço.
O encontro acontece na Rua Serra de Bragança, 338 - Tatuapé, a 10 minutos do Metrô Tatuapé e é uma iniciativa da Rede de Mídia Ativista.
Preparativos para o Encontro do dia 29
março 19, 2008 by Robson Pereira
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Olá a todos nesta terça feira fizemos o ultimo encontro sobre o evento que agora é das redes (Rema, Rhua e Revolusom), as definições foram:
Data e local: Mantivemos a data do dia 29/03 e o local na Espaço Cultural Humanista do Tatuapé, Rua Serra de Bragança nº 338
Proposta do dia: É incentivar a utilização da midia, musica e a arte como forma de mudança, por isso colocamos o nome do evento “Dia de cultura ativista, arte, música e mídia para inspirar a mudança”
Horário: O evento vai começar às 13h e terminar às 21h, porque assim dá para todo mundo participar e a proposta é que durante o dia role oficinas, bate papos, videos, rodas de discusão e durante a noite algo mais solto para a galera conversar , com apresentações culturais
Programação:
13h - Oficinas de rádio e vídeo
14h - Oficinas de stencil e música
15h - Oficina de poesia e bate papos do revolusom e do programa de tv (estamos definindo os nomes ainda)
16h - Oficina de fotografia ou sticker (a confirmar) , bate papo da revista origenes e abertura da mostra “é tudo mentira”
17h - Bate papo de difusão massiva (nome a definir) e stencil
18h - Rodas gerais das redes (rema, rhua e revolusom)
19h - Festa com apresentações culturais de bandas e teatro
Durante todo o dia vai estar rolando vídeos na praça Sílvio Romero, uma Rádio de rua e uma Exposição no local do evento. Nos intervalos entre uma oficina e outra vai rolar a feira de troca de vídeos e a mostra “um novo mundo é possivel” com os videos do novo humanismo.
Ficamos de fechar as apresentações e oficinas até amanhã então quem tiver algo que queira acrescentar manda um email pra lista até amanhã
Divulgação: Vamos fazer alguns catazes de stencil para colar nas ruas do Tatuapé e Augusta, 150 cartazes impressos para colar em comercios, universidades, escolas, etc, 3.000 panfletos e uma news litter para circular pelas listas, os materiais estaram prontos até sábado pra quem já quiser começar a divulgar
Os pontos de divulgação serão:
Puc, Mackenzie, Casper Libero, Usp, São Judas, Unicid, CCP, Ação educativa, Praça Roosevelt, Galeria…
Marcamos
sábado um ato no metro Tatuapé as 15h para chamar contatos e divulgar o evento
segunda feira as 9:30h passar nas salas do Mackenzie
Contra as Guerras!
março 19, 2008 by Robson Pereira
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Cinco anos da Invasão ao Iraque!
PELA RETIRADA IMEDIATA DAS TROPAS NORTE-AMERICANAS DO IRAQUE e PELA CONDENAÇÃO DO ATAQUE DO GOVERNO COLOMBIANO DE URIBE NO EQUADOR
Quarta feira (19/03) - A partir das 13h na Praça Ramos em São Paulo
O ato faz parte da mobilização mundial pelo fim da invasão do Iraque pelas tropas norte-americanas, que completa 5 anos, e será realizada em mais de 40 cidades ao redor do mundo. Neste ano, além da reivindicação pelo fim da ocupação do Iraque, a mobilização tem o caráter de protesto contra a ação militar do governo colombiano (Álvaro Uribe), realizada no início do mês e apoiada pelo governo George W. Bush.
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The Take
de Naomi Klein e Avi Lewis
Em um subúrbio de em Buenos Aires, Argentina, trinta trabalhadores desempregados de uma fábrica de auto-peças penetram na sua ociosa e falida fábrica, colocam esteiras para dormir e recusam-se á sair. Tudo que eles querem é ligar as máquinas paradas e trabalharem. Mas este simples ato - a “tomada” - questiona a atual globalização, desde o ponto de vista de quem fica excluído dela. Armados com estilingues e com fé na democracia direta e de base, os trabalhadores enfrentam os patrões, banqueiros e um sistema todo que vê sua amada fábrica como nada mais do que sucata para venda. Com “The Take”, o diretor Avi Lewis (um jornalista canadense) e Naomi Klein (autora do livro No Logo) colocam um radical programa econômico para o século 21, onde a autogestão é, acima de tudo, uma questão de dignidade humana: os trabalhadores sentem a necessidade de fugir à exploração capitalista, e de viver de um modo digno garantindo mínimas condições materiais de existência e desenvolvimento pessoal e coletivo..
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